Memória Olfativa Porteña - por José Carlos Monteiro

Em tempos de pandemia, frustrado pelas barreiras impostas ao acesso a outros países e apreciador da cozinha internacional de alta qualidade, tive uma experiência muito interessante de “viagem gastronômica virtual”. Não sei se o nome é este, mas foi assim que batizei o almoço que eu e minha mulher tivemos há alguns dias no FOGO & FUEGO – Gastronomia Parrillera. Também não tenho certeza se a palavra almoço é apropriada para descrever o momento, dado que praticamente passamos toda a tarde degustando uma seleta variedade de iguarias argentinas em um local aprazível, como se tivéssemos raízes argentinas e estivéssemos em uma visita à casa de nossa abuela nos arredores de Buenos Aires.

Minha primeira visita a argentina foi em 1982, época em que eu era gerente de uma empresa internacional de prestação de serviços e que tinha um programa de revisão de qualidade entre os países em que operava. Em suma, passei duas semanas trabalhando no escritório de Buenos Aires e aprendendo um bocado a cultura porteña.

Como tinha pouco tempo para completar o trabalho programado, os sábados foram incluídos em nossa maratona. Ao final de um sábado de um distante junho do ano de 1982, o diretor geral de nossa empresa na Argentina, talvez com pena de ver aqueles brasileiros trabalhando em um ritmo alucinante, nos convidou para irmos no domingo almoçar em uma quinta que ele possuía em uma cidade próxima a Buenos Aires chamada Lujan (um pequeno povoado que cresceu ao redor de uma igreja cuja padroeira era justamente a Nossa Senhora de Lujan). Se bem me lembro, viajamos por uma hora e meia ou duas e chegamos à quinta (o que chamamos por aqui de chácara). Estava lá o Sr. Ricardo Biondi e TODA sua família (incluindo abuelas) para nos ciceronear em uma experiência inesquecível de um assado ao lado de uma parrilla (churrasqueira dos argentinos).

O que aconteceu naquele dia em muito pouco difere de nossa experiência de alguns dias atrás no FOGO & FUEGO. Assim que entrei no espaço F&F minha memória me remeteu à quinta do Sr. Ricardo Biondi com sua simpática família, nos servindo uma variedade enorme de carnes selecionadas e fabulosos vinhos argentinos. Mais que isso, tive a mesma percepção de carinho e hospitalidade no seio de uma família que acabara de conhecer.

De fato não sei se os criadores da F&F (Natan Failchijes e Eduardo Bonatto) tiveram isto em mente, mas minha sensação nesta tarde recente foi a de uma viagem com tudo de melhor da gastronomia e cultura argentinas.

Vou repetir e recomendo a experiência a outros apreciadores (românticos) da boa gastronomia.


José Carlos Monteiro.

(Eduardo, Kiria, José Carlos e Natan)

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